sábado, 10 de outubro de 2009

MODERNISMO NA AMÉRICA LATINA


Um salto no escuro


A modernidade é um convite ao salto no escuro.
(BELUZZO, 1990,P.17)



Antes de adentrarmos no tema em questão vejamos o que o autor HARRISON(2000) reflete sobre os três conceitos aos quais o mundo moderno e sua cultura giram em torno: Modernização, modernidade e modernismo.

Segundo HARRISON(2000) é impossível que modernização e modernidade correspondem entre si. "Modernização refere-se a uma série de processos tecnológicos, econômicos e políticos associados à Revolução Industrial e suas consequências"(HARRISON, 2000, p.6). Modernidade são as condições sociais e suas experiências, advindas do processo de Modernização.

No entanto, o Modernismo, ilustra dificuldade na obtenção e compreensão de seu significado enquanto conceito. No senso comum, significa "a propriedade ou a qualidade de ser moderno ou atualizado"(HARRISON, 2000, p.6)

Trata-se antes de uma forma de valor, em geral associada apenas a algumas obras e que serve para distingui-las de outras. Selecionar uma obra de arte como exemplo do modernismo e vê-la como pertencente a uma categoria especial no interior da cultura ocidental do período moderno.(HARRISON, 2000,p.6)

O segundo enfrentamento encontra-se nos diferentes pontos de vita sobre a situação histórica. "As origens do modernismo foram localizadas em épocas que variam do final do século XVIII ao início do XX"(HARRISON, 2000, p.6)

A seguir trataremos do Modernismo da América Latina, que segundo ADES(1997), iniciou-se nos anos 20 do século passado. Essa pesquisa constitui como uma tentativa, um salto no escuro...


MODERNISMO NA AMÉRICA LATINA


As transformações radicais das artes visuais na Europa, nas primeiras décadas do século XX(fouvismo, expressionismo, cubismo, dadaísmo, purismo, construtivismo) emergiram na América Latina, por volta dos anos 1920, face a uma corrente de inovações.

Diferentes dos movimentos europeus, o modernismo latino-americano não se consolidou sob um formato de estilos prontos e individualizados, mas foi "em geral, adaptado segundo as idiossíncrasias, o espírito inovador e o jeito de cada artista"(ADES, 1997, p.125)

Outro aspecto importante do modernismo na América Latina foi a relação entre a arte radical e a política revolucionária. Dois fatos marcaram a vidad dos escritores, artistas e intelectuais: a Revolução Mexicana e a Revolução Russa.

O impacto da revolução mexicana foi enorme, e as atividades dos pintores muralistas ao interpretar e disseminar os ideais da revolução, promovendo a idéia de uma arte para o povo e ajudando na concretização de um nacionalismo cultural sob condições revolucionárias, foram sentidas para além das fronteiras do México e constituíram-se importantes fatores nos debates relativos à arte e à cultura contemporâneas.(ADES, 1997,p.125)

No México um importante artista que participou do movimento muralista mexicano foi Diego Rivera. O pintor estudou na Academia de Bellas Artes de San Carlos, mas partiu para a Europa, beneficiando-se com uma bolsa de estudos, onde permaneceu de 1097 até 1921. Ao logo de sua vida, criou mais de dois mil quadros, cinco mil desenhos e cerca de quatro mil metros quadrados de pintura mural. Iniciou uma nova fase de conteúdos giscantescos murais que contavam a história política e social do México, retratava a vida e o trabalho do povo mexicano, seus heróis, a terra, as lutas contra injustiças, as inspirações e aspirações. Casou-se com a pintora mexicana Frida Kahlo.Rivera foi para os Estados Unidos onde pintou vários murais.

Os diferentes grupos e movimentos se tornavam conhecidos através de manifestos, revistas, exposições e conferências. As revistas mais importantes foram:
A) KLAXON, em São Paulo(1922);
B)REVISTA DE ANTROPOFAGIA, no México (1926);
C) ACTUAL E EL MACHETE, no México(1926);
D)MARTÍN FIERRO, em Buenos Aires (1924);
E)AMAUTA, no Peru(1926).

As revistas, assim como os manisfestos, as conferências e exposições possuíam diferenças e resistências entre sí. Enquanto EL MACHETE (representante do Sindicato dos Trabalhadores Técnicos, Pintores e Escultores) e AMAUTA defendiam o princípio da unidade orgânica na revolução e na política outras insistiam na autonomia artística.

Outro fator ímpar que caracterizou o modernismo latino-americano foi a busca da ruptura com o passado, assim "ver a tradição sendo reavaliada e rejeitados o período colonial e a cultura europeizada do século XIX, em troca de uma tradição cultural indígena de mais fortes raízes"(ADES, 1997, p. 126).

Segundo AMARAL(2006, p.24), " A riqueza interdisciplinar distingue o movimento modernista brasileiro dos anos 20 daqueles ocorridos em outros países da América Latina". O grupo formado após a exposição de Anita Malfatti, em 1917, explodiu de Anita Malfati, em 1917, explodiu na Semana de Arte Moderna de 1922 em São Paulo, foi a união de forças de uma nova geração que desejava uma revolução nas artes plásticas, na poesia, na literatura, na música e na arquitetura.

No Brasil, o debate do nacionalismo por oposição ao internacionalismo, principalmente o regional como destaque ao que antes se tinham como fomo as idéias centrais e cosmopolitas Européias, fez-se presente. Em carta para Tarsila do Amaral no ano de 1923, Mário de Andrade escreve: "volta para dentro de ti mesma" apelando para que a jovem pintora e Oswald de Andrade, que se encontravam em Paris, voltem para o Brasil( AMARAL, 2006, p. 28).

A Revolução de 1924 culminou sucessão de eventos marcantes que despertou nos modernistas os posiocionamento político não existente.

Em particular, nesses anos de 1923 e 1924, vemos surgir nas idéias de Oswald de Andrade, de forma bem clara, o caráter internacionalista do Modernismo do Brasil, assim como o nacionalismo que permeia a produção de nossos artistas, seja na música, na literatura ou nas artes plásticas(AMARAL, 2006, p. 29).

Oswald de Andrade apóia-se na pintura de Tarsila na época, para dar os primeiros passos rumo a Antropofagia, que absorveu de observações ao movimento Canibale em Paris."O índio não devorava por gula e sim num ato simbólico e mágico sobre o qual repousa toda sua compreensão da vida e do homem" escreve Oswald em 1946(AMARAL, 2006, p.30).

Tarsila do Amaral nasceu em primeiro de setembro de 1886, na Fazenda São Bernardo, e Capivari, interior de São Paulo, era filha de José Estanislau do Amaral Filho e de Lydia Dias de Aguiar do Amaral, e neta de José Estanislau. Tarsila do Amaral estudou em São Paulo, em Colégio de freiras do bairro de Santana, e no Colégio Sion. Completou os estudos em Barcelona, na Espanha, no Colégio Sacré-Coeur, onde venceu vários concursos de ortografia.

Começo a aprender pintura em 1917, com Pedro Alexandrino. Mais tarde, estudou com George Fischer Elpons. Em 1920, viajou a Paris e frequentou a Academia de Emile Renard. Apesar de ter tido contato com novas tendências e vanguardas, Tarsila somente aderiu às idéias modernistas ao voltar ao Brasil, em 1922. Numa confeitaria paulistana, foi apresentada por Anita Malfati ao modernista Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Monotti Del Picchi - esses seus novos amigos passaram a frequentar seu atelier, formando o Grupo dos Cinco.

Os modernistas tiveram influências e suas primeiras manisfestações aconteceram anteriores ao ano de 1917 acarretada de muitas críticas pelo seu abandono das formas da pintura clássica e por ser inovadora e ao mesmo tempo revolucinária. As obras de Tarsila do Amaral eram representações das Classes marginalizadas dos centros urbanos que causou desaprovação das classes mais conservadoras da época. Estes modernistas formavam um grupo de artistas cuja manifestações pública aconteceu em 1922 em São Paulo chamada Semana de Arte Moderna. Na qual não se restringe somente as Artes Visuais, mas na literatura, recitais de poesias, concertos e conferências. Os participantes na exposição da Semana de Arte Moderna foram: Graça Arando falando sobre a importância das Artes Visuais e o papel da música na sociedade, a música de Villa-Lobos, o escultor Victor Brecheret, o pintor Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Vicente do Rego Monteiro e Zina Aita com a "audácia" dos jovens poetas...

Entre os anos de 1923 1928, Tarsila foi morar em Paris. Retornou a São Paulo em 1928 e passou a lecionar desenho na Universidade Machenzie até o ano de 1933 e 1953, passou a leiconar desenho nas dependências de sua casa.

Com isso os jornais e revistas da época aproveitavam apra fazer suas críticas sobre as novas idéias do modernismo contrariando as idéias de Rodin, Frank, Brangwyn e Paul Chabas. Oswald de Andrade poeta entra em defesa de Tarsila do Amaral e principalmente do Modernismo que ela desafiara "naturalismo fotográfico" com seu jeito. Tarsila sempre esteve ligada ao Grupo Modernista, segundo a artista " o movimento cubista não era ruim, mas a arte tinha que traçar novos caminhos".

Em relação ao manifesto criado por Oswald de Andrade contém uma nova perspectiva não rejeitando ao internacionalismo não contrariando aos críticos das revistas, mas declarando a ausência de um credo estético. O Manifesto da Poesia Pau- Brasil, "a selva e a escola". Com o Desenvolvimento Industrial Tarsila pintava o Brasil, a cultura mulata, sua atmosfera tropical, contrastando com a cultura moderna.

O "Manifesto Antropofágico" foi publicado no primeiro número da revista de Antropofagia e ilustrado com um desenho de Tarsila onde se via uma figura nua de pés incrivelmente largos, alguns cactos e ao sol- idêntico, o motivo da pintura intitulada Abaporu. O título ela encontrou em um dicionário de tupi-guarani .Aba significa homem e Poru siguinifica aquele que come. De 1922 a 1923, a pintora morou em Paris quando surgiram os primeiros traços dos temas do "Pau-Brasil", iniciando os princípios básicos do cubismo, ms em algumas de seus trabalhos nos remetem uma idéia de "selva-escola".

Também o artista Di Cavalcanti, Emiliano Agusto Cavalcanti de Albuquerque e Mirlo, foi um importante pintor e ilustrador brasileiro. Seu estilo é marcado pela influência do expressionismo, cubismo e dos muralistas mexicanos Diego Rivera. Em suas produções abordou temas tipicamente brasileiro como, por exemplo, o samba. O cenário geográfico brasileiro também foi muito retratado em suas pinturas, assim com as festas populares, operários, as favelas, protestos sociais. Era comum ver em suas obras a sensualidade tropical do Brasil através dos diversos tipos femininos. Usou as cores do Brasil em suas obras, em conjunto com toques de sentimentos e expressões marcantes dos personagens retratados.

Após esta breve exposiçaõ, deixaremos aos interessados a listagem de outros artistas modernistas latino-americanos para posterior. Entre eles: Pettoruti, José Sabogal, Siqueiro, Clausell, André de Santa María, Carlos Saez, Zárraga, Adolfo e Emma Best Maugard, Jorge Enciso, Torres García, Barradas e Rubens Darío(poeta).


Referências Bibliográficas:

ADES, Dawn. Arte na América Latina: a Era Moderna. São Paulo, Cosac & Naify, 1997.

AMARAL, Aracy A. Textos do Trópico de Capricórnio: artigos e ensaios (1980-2005). Vol.1: Modernismo, arte moderna e o compromisso com o lugar. São Paulo: Ed. 34, 2009.

BELUZZO, Ana Maria de Moraes(organizadora). Modernidade: vanguardas artísticas na América Latina. São Paulo: Memorial, UNESP, 1990.

HARRISON, Charles. Modernismo. São Paulo: Cosac & Naif Edições, 2000.

MENDA, Mari Elizabeth/ SANTOS, Vanessa Costa. 80 Anos da Semana de Arte Moderna de 1922. Vol.2. São Paulo: Lemos Editorial, 2002.

Site: http:// pt.wikipedia.org/wiki/Diego_Rivera acessado em 05/10/2009 às 20h07min.

Site: http:// www.artemercosur.org.uy/ index. html acessado em 05/10/2009 às 18h51min.

Site: http:// tarsiladoamaral.com.br/acessado em 05/10/2009 às 19h36min.

Site: www.klepsidra.net/ klepsidra6/muralismo.rtf_acessado em 05/10/2009 às 19h02min.


Observação: Esta pesquisa está sendo apresentada pelo grupo de trabalho da disciplina: Arte na América Latina, orientada pelo professor Mário Mendes. Cujos integrantes do grupo são: Isabella Morenna, Patrícia, Mirele Guedes e Heliane Fátima.





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