sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MURALISMO MEXICANO


O muralismo mexicano teve início depois da Revolução Mexicana, em 1910. Tem como principais artistas desse movimento, Diego Rivera, José Clemente Orozco, Davi Alfaro Siqueiros e é considerada a mais importante arte revolucionaria de seu século, pela mensagem social que transmite e que influencia até hoje toda a América Latina. Para compreender esse movimento é preciso estudar um pouco sobre a Revolução Mexicana.

Em 1910, tanto a população do campo quanto os operários da cidade permaneciam num regime de servidão ou, no caso dos operários, trabalhavam muito e recebiam um salário muito baixo. A partir daí, um popular chamado Francisco Madero iniciou uma rebelião que mais tarde se tornaria uma Revolução, depois que Francisco recebeu a ajuda de toda a classe camponesa e indígena e de seus líderes. Entre estes líderes estavam aqueles que mais tarde se tornariam heróis mexicanos e uns dos mais importantes revolucionários do mundo: Emiliano Zapata e Francisco Doroteo Arango, mais conhecido como Pancho Villa.

A Revolução tirou do poder Porfírio Díaz, ditador corrupto que governou por 35 anos, explorando camponeses, indígenas e toda comunidade mais pobre e favorecendo os mais ricos.

Depois de vários conflitos internos e vários presidentes, na maioria das vezes inadequados à presidência, em 1934 Lázaro Cardena se tornou presidente e promoveu a realização as principais reformas idealizadas na Revolução, como a reforma agrária, a nacionalização das empresas petrolíferas e tentar obter o controle da política interna. A partir daí os futuros presidentes eleitos teriam um mandato de seis anos, com reeleição proibida. Assim foi possível ter uma política mais estável e menos conflitos.

Com a Revolução, o vírus revolucionário, o sopro de liberdade, se espalhou por toda a população, principalmente os camponeses. Em 1920 tomou posse o presidente Álvaro Obregón, líder revolucionário, trazendo otimismo e esperança, contribuindo para o início do Movimento Muralista.

Foram vários os motivos para o surgimento do Muralismo. O Primeiro é a nomeação do revolucionário e filósofo José Vasconcelos para a presidência da Universidade e para o Ministério da Educação. Vasconcelos criou o programa do mural. O sucesso do programa se deve ao fato de não existido nenhuma exigência quanto a estilo. O importante para ele era simplesmente que o artista pudesse ser livre para escolher seu tema e estilo. Para Vasconcelos, a evolução de uma sociedade se faz em três estágios, sendo que a estética é o estágio mais avançado. Por isso ele tinha a certeza que o México não demoraria a alcançar esse estágio. Seguindo esse pensamento, Vasconcelos liberou os muros da Escuela Nacional Preparatória (ENP) para um grupo de jovens artistas. Esse fato fez com que alguns artistas, já reconhecidos na Europa, voltassem para o México, como Rivera e Siqueiros.

O segundo motivo é que a arte em murais vem de uma antiga tradição. Na época pré-colombiana, os muros das cidades já possuíam pinturas. O terceiro é tem relação com os indígenas, uma classe excluída e por causa disso o país possuía duas nações. Houve uma busca pelo equilíbrio e estabilidade entre todos para que o México fosse uma nação com apenas uma nação. Com a volta da discussão sobre os indígenas, foi possível mostrar a relação desse povo com a arte, já que eles preservam e produzem a arte pré-colombiana.

Os muralista exigiam o fim da “pintura de cavalete”, reconhecida como burguesa, e também a valorização da tradição indígena, vista como um modelo de arte aberta para a população.

Além de Rivera, Orozco e Siqueiros, conhecidos como “Los três Grandes”, outro importante artista foi Francisco Goitia, considerado o pioneiro, já que foi o primeiro a pintar para o povo. Esses quatro artista praticiparam da Revolução ao lado de Pancho Villa e pintavam in loco imagens que retratavam com realidade as cenas da guerra. Outros artistas mais jovens, mas não menos importantes, que firmaram o Muralismo, são Fernando Leal, Ramón Alva de la Canal, Fermín Revueltas, Jean Charlot, Emílio García Cahero. Foram os jovens ajudados por Vasconcelos, na pintura do muro da ENP.

O Muralismo Mexicano procurava transmitir ao povo humilde as idéias nacionalistas e revolucionárias, mostravam a história do México, suas qualidades e seus defeitos, críticas sociais e políticas. Era uma forma de unir os pobres, sempre maltratados, para buscar justiça e uma vida melhor para todos.

Link do video no youtube
http://www.youtube.com/watch?v=uKB0pYWvf-U

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